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O conselho de Lucman a seu filho (parte 2 de 2)
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Luqman2.jpgDeus concedeu sabedoria a Lucman.  Sabedoria implica em seguir os passos dos profetas chamando as pessoas para adorarem somente a Deus.  Além disso, envolve ensiná-las como fazer isso da melhor maneira possível, começando com os aspectos mais importantes e assim por diante.  Lucman queria o melhor para seu filho e deu a ele conselhos que o deixariam em boa posição nesse mundo e no Outro. Esse conselho contém verdade em qualquer época e os pais que lutam para educar filhos crentes hoje se beneficiarão enormemente dele. Já discutimos os três primeiros conselhos que eram adorar somente a Deus, ser devotado aos pais e reconhecer que Deus tem controle completo sobre todos os assuntos. Na parte 2 continuamos a discussão.

 

4. "Ó meu filho! Observa a oração..." (Alcorão 31:17)

Lucman aconselha seu filho a orar regularmente e no horário correto. Todos os pais devem ensinar seus filhos não somente a orar, mas por que oramos e sua importância. A palavra árabe para oração é salah e a palavra denota conexão.  A oração é a nossa forma de conectar e manter uma conexão com Deus.  Orar em horários fixos serve como um lembrete do por que estamos aqui e ajuda a direcionar os pensamentos e ações da pessoa do pecado para a lembrança de Deus.

5. "..recomenda o bem, proíbe o ilícito..." (Alcorão 31:17)

Recomendar o bem e proibir o ilícito é responsabilidade de todo crente; governantes e súditos, homens e mulheres, cada um de acordo com sua habilidade. O profeta Muhammad, que a misericórdia e bênçãos de Deus estejam sobre ele, disse: "Quem dentre vós vir uma má ação, que a mude com sua mão (agindo); se não puder, com sua língua (denunciando); e se não puder, então com seu coração (ao sentir que é errada), mas essa é a forma mais fraca de fé."[1]

6. "e sofre pacientemente tudo quanto te suceda..." (Alcorão 31:17)

Lucman aconselha seu filho a orar de maneira correta, recomendar o bem e proibir o mal e, então, recomenda paciência ao lidar com as pessoas para esse propósito e em todos os assuntos.  O genro do profeta Muhammad, Ali ibn Abu Talib, definiu paciência como "buscar a ajuda de Deus".[2] Lembrar de Deus e contemplar Sua grandeza é a chave para a paciência e a paciência é a chave para o paraíso eterno e, portanto, foi de fato um conselho sábio.

7. "E não vires o rosto às gentes..." (Alcorão 31:18)

Tentar não agir como se fosse melhor que as outras pessoas. A humildade é uma qualidade muito desejável para qualquer crente. A humildade pode nos guiar ao paraíso, assim como o oposto, a arrogância, pode nos levar ao inferno.  A arrogância e falta de humildade de Satanás provocou não só sua expulsão do paraíso, mas o condenou, e a seus seguidores, ao inferno. O profeta Muhammad não se comportou como se fosse melhor que os demais, nem desdenhava o trabalho braçal.  Um de seus companheiros relatou que o profeta Muhammad trabalhava com alegria com os servos ou outros trabalhadores.

8. "...nem andes insolentemente pela terra, porque Deus não estima arrogante e jactancioso algum." (Alcorão 31:18)

Caminhar com insolência pela terra é outra forma de arrogância. É como se Lucman quisesse enfatizar a importância da humildade. Todas as pessoas são iguais aos olhos de Deus; a única coisa que as diferencia é a piedade. O profeta Muhammad, seus companheiros e as primeiras gerações de muçulmanos compreendia o conceito de humildade.  A seguir é a história de um homem que caminhava pela terra sem insolência.

Durante seu califado Umar ibn Al-Khattab marchava em Damasco com seu exército.  Abu Ubayda estava com ele.  Chegaram a um pequeno lago.  Uma desceu de seu camelo, tirou seus sapatos, amarrou-os e os pendurou sobre os ombros.  Então pegou as rédeas de seu camelo e entraram na água juntos.  Vendo isso na frente do exército, Abu Ubayda disse: "Ó Comandante dos crentes! Como você pode ser tão humilde na frente de todos os seus homens?"  Umar respondeu: "Ai de ti, Abu Ubayda!  Se alguém mais pudesse ouvir que pensa dessa forma!  Pensamentos como esse causarão a queda dos muçulmanos.  Não vê que de fato éramos um povo humilde?  Deus nos elevou à uma posição de honra e grandeza por meio do Islã.  Se esquecermos quem somos e desejarmos outra coisa que o Islã que nos elevou, Aquele que nos elevou certamente nos rebaixará."[3]

9. "E modera o teu andar (ou não mostre insolência no andar)..." (Alcorão 31:19)

Um provérbio nativo-americano nos conta que seremos conhecidos pelos rastros que deixamos. Lucman está aconselhando seu filho a caminhar gentilmente sobre essa terra e não entrar em situações de forma agressiva. Está aconselhando que paciência e humildade devem ser um comportamento padrão e normal de uma pessoa. Crentes devem ser conhecidos pela humildade, gentileza e misericórdia em seus comportamentos.

10. "...e baixa a tua voz, porque o mais desagradável dos sons é o zurro dos asnos." (Alcorão 31:19)

E, finalmente, Lucman aconselha seu filho a baixar o tom de sua voz. Falar alto e ríspido, diz ele, faz a voz parecer o zurro de asnos. Gritar não conquista corações e ofende e aliena as pessoas.

Lucman deu 10 conselhos sábios ao seu filho. É importante notar que Lucman começa com a lição mais importante: crer em um Deus Único.   Também deixa claro que associar parceiros na adoração a Deus é o único pecado imperdoável.  Em seguida, depois de estabelecer as bases da fé, Lucman lembra seu filho dos valores essenciais que um crente deve se empenhar para adquirir, enquanto que simultaneamente evita o orgulho e a arrogância. Quando os pais conseguem transmitir esses 10 conselhos aos seus filhos, estão estabelecendo as bases para uma vida feliz. Se os filhos conseguirem modelar esse comportamento como demonstrado pelos pais e cuidadores, melhor ainda.



Notas de rodapé:

[1] Saheeh Muslim

[2] Ibn Qayyim al Jawziyyah, 1997, Patience and gratitude, tradução para o inglês, Reino Unido, Ta Ha Publishers. P12

[3] As Sallabi, Dr Ali Muhammad. ‘Umar Ibn Al-Khattab: His Life and Times. International Islamic Publishing House, Saudi Arabia. (2007)

 

http://www.islamreligion.com/pt/articles/10637/o-conselho-de-lucman-seu-filho-parte-2-de-2/

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